Vidigueira

 

Castelo

O que hoje propriamente se chama castelo não é mais do que um resto de uma torre quadrada que se eleva numa pequena eminência do lado ocidental da vila, já a confinar com os olivais e vinhedos que daí alastram na direcção da Ermida de Santa Clara e de Vila de Frades, aquela mais a norte e esta sensivelmente a oeste e um pouco mais afastada.

Nos muros restaurados construiu-se um adarve, a que se pode subir por uma escada exterior e que serve assim de miradouro, de onde se desfruta um vasto panorama, tanto sobre a vila, cujos telhados vermelhos deixam ver pelo meio recortes de fachadas branquinhas ou quintais verdejantes com parreiras a trepar pelas paredes, como sobre os campos a toda a volta, ao norte limitado o horizonte pelos cabeços do Mendro, ao sul dilatado até onde a vista pode abranger, com a torre de menagem do castelo de Beja.

Pensando no que poderá ter sido o velho castelo, se de um castelo realmente se tratava, e o palácio que aí existia e os gamas depois aformosearam, invade-nos uma profunda tristeza, causada sobretudo pela ideia de que o seu desaparecimento se verificou não só perante a indiferença, mas ainda com a colaboração dos que mais deviam ter respeitado e defendido esse património, relíquia do passado. A sua construção data possivelmente dos fins do primeiro quartel do século XV e se terá devido ao 2.º Duque de Bragança, D. Fernando, então senhor da vila.

Depois de ter servido de residência a Vasco da Gama e aos Condes de Vidigueira, quando aqui estanciavam, foi abandonado, caiu em ruínas e o próprio povo o ajudou a demolir, arrancando-lhe as pedras para construir casas. A destruição deve ter prosseguido rapidamente e algumas décadas depois já nem vestígios das salas haveria.

No decorrer do nosso século o vandalismo continuou, perante a indiferença geral, até não haver em pé mais do que os pobres restos da torre atrás referida, acrescente-se ainda que, aquando da sua restauração, se lhe colocou ao lado uma janela possivelmente do século XVI e de estilo manuelino, que se encontrou em Vila de Frades e talvez pertencesse ao antigo palácio dos Condes da Vidigueira.

 

Torre do Relógio

Dos monumentos profanos da Vidigueira, a Torre do Relógio é um dos que mais interesse merecem, não tanto pela torre em si – cuja data de construção ignoramos, pois não lhe encontra-mos qualquer referencia que nos elucidasse, mas pelo sino que alberga, mandado fazer por Vasco da Gama em 1520, como consta da inscrição que nele se lê: Este sino mandou fazer o Sr. Conde Dom Vasco Almirante da Índia.

No decurso das obras de restauro foram colocados no relógio os ponteiros que este nunca tivera, de modo que os vidigueirenses possam não só ouvir o som familiar das suas badaladas, mas também saber as horas sempre que adreguem olhá-lo.

  
Além disso, a torre foi dotada de um sistema de iluminação e à noite o seu vetusto perfil recorta-se como uma pedra rara e cintilante, de um brilho como que adoçado pelo tempo, no fundo escuro em que parece engastada.

A torre é uma construção quadrangular, tendo no alto, para onde se sobe por uma escada de caracol, uma guarda com uma grilhagem em tijolos e um ornato em cada canto, e no meio, como remate, uma guarita ou coruchéu, que alberga o sino já referido e se abre para cada lado por um olhar com arco de volta inteira.

 

Antigo Convento de Nossa Senhora das Relíquias

O Convento de Nossa Senhora das Relíquias já de há muito não existe, pois foi extinto quando da abolição das ordens religiosas em 1834. Mas o edifício onde esteve instalado esse convento ainda hoje se conserva, embora adaptado a casa de habitação, e os terrenos que lhe estão adstritos constituem, já desde o século passado, a Quinta do Carmo, designação derivada do nome da ordem a que pertenciam os frades que aí tiveram residência.

 

Igreja de S. Francisco

 A Igreja de S. Francisco é hoje a paroquial, ainda que seja um templo de pequenas dimensões, sem quaisquer aspectos arquitectónicos ou decorativos dignos de relevo.
A Igreja de S. Francisco foi construída em 1732.

 

Ermida de Santa Clara

Das ermidas ainda hoje existentes na Vidigueira, a mais antiga é indubitavelmente a de Santa Clara. Foi mandada construir em 1555 pelo 2.º Conde, D. Francisco da Gama, e sua mulher, D. Guiomar de Vilhena. Esta ermida era muito estimada pela população da terra e tornou-se lugar de romaria, tradição que se manteve até há relativamente pouco tempo, pois muita gente da Vidigueira se recorda ainda das festas em Santa Clara.
A Ermida de Santa Clara, cujo estilo classificaríamos de manuelino, ainda que também já lhe tenham chamado gótico normando, é uma construção de planta rectangular, coroada de ameias e com truncado. Na fachada destaca-se o portal, todo em pedra, com dois colunelos providos de capitéis e arco ogival com arquivolta. Por cima deste há uma fresta estreita e na parte superior da frontaria eleva-se, a meio o campanário.

Ermida de S. Rafael

Foi mandada construir pelo 4.º Conde da Vidigueira, D. Francisco da Gama, a fim de aí ser depositada a imagem do seu santo que já acompanha Vasco da Gama à Índia e construiu também objecto de veneração para os seus descendentes, que igualmente a levaram consigo nas suas viagens por mar.

Ermida de S. Pedro

S. Pedro distingue-se pela sua situação no cimo de uma colina sobranceira à vila e fala-nos do presente, mostrado ao olhar ávido toda a graça, harmonia e vastidão da paisagem que á volta se desdobra: Vidigueira e Vila de Frades como que unidas num todo único.

O terreiro da Ermida de S. Pedro é verdadeiramente um miradouro único e o seu encanto reside principalmente na vista que oferece. Sítio ideal para festejos populares, com arraial e diversões de vária natureza, S. Pedro tem já nesse campo uma tradição notável que hoje continua e até ultimamente tem recebido novos impulsos.
A ermida confirma o carácter popular de S. Pedro. Simples e despretensiosa, oferece a graça da sua alvura louça e a frescura do riso que parece fluir sem a marca do tempo.
À frente, um alpendre a que se sobe por três degraus protege a porta da capela e, se necessário, o visitante contra a chuva ou contra o sol. Atrás, o arredondado a abside quebra a linearidade do conjunto, mas estabelece uma certa correspondência com os arcos rasgados do alpendre frontal. (1)

 

 (1) Texto retirado da 2.ª Edição Revista e Actualizada, do Ensaio Monográfico - "Vidigueira e o seu Concelho", da Câmara Municipal de Vidigueira, na sua Edição de 1994 do Dr. José A. Palma Caetano